As Fiandeiras - Velazquez
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quinta-feira, 1 de outubro de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
sábado, 12 de janeiro de 2013
Como ver uma obra de arte.
A arte corresponde a uma necessidade
fundamental do homem. O seu primeiro
objetivo é uma interpreteção mais completa da vida em toda a sua plenitude.
Toda
via, o desejo de expressão pela arte é tão profundamente humano que desde a
pré-história se tem manifestado sem
interrupção em toda Terra. Tudo o que sabemos acerca do homem das primeiras
épocas _ excetuando-se o que as ossadas
nos ensinaram _ deve-se
ao artesanato. Este evidencia o
desejo de conferir aos objetos algo mais do que um simples caráter utilitário.
A sua decoração exigiu tempo e trabalho, sendo feitos com cuidado e destinados
não apenas a responder a uma necessidade utilitária, mas a satisfazer o tato ,
a vista, o coração. Poucas atividades humanas estão sujeitas a tantas
interpretações diferentes como a arte, cuja significação varia de acordo com
cada qual.
A
harmonia das formas que se manisfesta na
pintura , na escultura ou na Arquitetura seduzirá o espectador. O criador ou o
amador muito sensível encontrarão na arte uma catarse dos seus sentimentos.
A
arte pode ser vista de diversas formas .
São formas diferentes de análise da obra de arte, mas que no conjunto poderão
nos dar uma compreensão total da mesma. Estas maneiras de ver a obra podem ser
divididas em :
-
Indagação sobre a finalidade da
obra de arte;
-
Indagação sobre o que a obra de
arte nos transmite a respeito das culturas em que foram produzidas;
-
Avaliação do realismo das obras de
arte;
-
Análise da estrutura formal da obra
de arte.
Atualmente,
grande número de pessoas tem acesso às
obras de importantes artistas. Há também
cada vez mais oportunidadedes para ver e estudar essas obras. Contudo, várias
obras costumam ser vistas num contexto afastado da arte, como peças de publicidade ou em cartões
comemorativos. Em outras palavras, as obras não são realmente olhadas _ pois
ver não é o mesmo que olhar, assim como
ouvir não é igual a escutar. Ver envolve apenas o esforço de abrir os
olhos; olhar significa abrir a mente e usar o intelecto.
Olhar uma pintura é como partir para uma
viagem _ uma viagem com muitas possibilidades, incluindo o entusiasmo de
compartilhar a visão de uma outra época.
Como em qualquer viagem, quanto melhor a preparação, mais gratificante será a expedição.
Seis Linhas Mestras:
Tema
Todas as pinturas têm um tema específico,
cada um com sua mensagem significativa. Com frequência o tema é fácil de se
reconhecer; mas em muitos casos, em especial nas obras mais antigas , os artistas escolheram histórias
da Bíblia ou relativas aos deuses da Antiguidade, como aquelas narradas na
mitologia grega e romana. Ao criar essas obras , os artistas deviam presumir
que seu público estava familiarizado com essas histórias. Hoje isso não é mais
verdade, porém redescobrir esses grandiosos mitos e lendas pode ser um dos
maiores prazeres ao se olhar uma pintura.
Técnica
Cada pintura deve ser criada fisicamente,
e a compreensão das técnicas utilizadas, como emprego da tinta a óleo ou o uso
do afresco, aumenta muito nossa apreciação da obra de arte. A maioria das obras
são notáveis por suas inovações técnicas e seu virtuosismo.
Simbolismo
Muitas obras usam extensamente uma
linguagem de simbolismo e alegoria que na época era compreendida tanto pelos
artistas como
pelo público. Os objetos reconhecíveis, mesmo pintados em detalhe, não
representam apenas eles mesmos, mas conceitos de significado mais profundo ou
mais abstrato. A familiaridade com esta linguagem diminuiu muito, mas ela pode
ser redescoberta pelo estudo dos quadros e das crençàs da sociedade que formou
o artista.
Espaço e Luz
Os artistas que buscam recriar uma
representação convincente do mundo na superfície plana de uma tela ou madeira
precisam adquirir o domínio da ilusão do espaço e da luz. É notável a variedade de meios pelos
quais esta ilusão pode ser criada. Não há duas
obras em que esses meios sejam iguais, e em alguns casos o principal
deleite visual de uma pintura está na maneira como o pintor trabalhou essas duas qualidades fugidias.
Estilo Histórico
Cada período histórico desenvolve um estilo
próprio, que se pode perceber nas obras
de seus artistas principais. Os estilos
não existem isoladamente, mas se refletem em todas as artes; é possível
acompanhar a evolução da história da arte desde o início da Renascença até os tempos modernos.
Interpretação Visual
Qualquer pessoa que embarque na viagem de
exploração dos significados das pinturas logo ficará confusa com a quantidade
de pontos de vistas apresentados. Uma orientação simples é : se você vê alguma
coisa sozinho, acredite nela _ não importa o que digam. Se não consegue ver não
acredite.
Cada
pessoa tem o direito de levar para uma obra de arte o que quiser levar através
da sua visão e da sua experiência, e guardar o que decidir guardar, no nível
pessoal. O conhecimento da história, das
habilidades técnicas deve ampliar essa experiência pessoal. Mas se a dimensão
pessoal se perde, então olhar uma obra de arte não é mais significativo do que
olhar um problema de palavras cruzadas e tentar resolvê-lo.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Abra a felicidade que vem aí.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Amar não é pecado.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Além do Horizonte.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Jeito do Mato.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
De volta pro aconchego.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Epitáfio
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
É preciso saber viver.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Planeta Água.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Será.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Mais uma vez.
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Mais uma vez (2).
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
Shimbalaiê
Estes trabalhos foram apresentados na Exposição de Artes na Semana do Saber, são vários vídeos que os alunos fizeram em grupo, a escolha da música foi livre, desde que tivesse uma mensagem positiva e fosse brasileira.
Foi um trabalho interdisciplinar de Artes, Português e Religião, que foi muito gratificante, pois os alunos se interessaram e tiveram prazer em criar, e fizeram todas as etapas sozinhos, sem a nossa ajuda, por isso terão alguns mais elaborados e outros não, dependendo da capacidade de cada um, inclusive em trabalhar com o programa de computador o Movie Maker, são as novas tecnologias na sala de aula.
terça-feira, 26 de julho de 2011
ALFABETIZAÇÃO VISUAL
A linguagem é simplesmente um recurso de comunicação próprio do homem, que evoluiu desde a sua forma auditiva, pura e simples, até a capacidade de ler e escrever. Para que nos consideremos verbalmente alfabetizados, é preciso que aprendamos os componentes básicos da linguagem escrita: as letras, as palavras, a ortografia, a gramática e a sintaxe. Dominando a leitura e a escrita, podemos nos expressar com estes poucos elementos de modo infinito.
A alfabetização visual se dá mais ou menos da mesma maneira. Seus objetivos são os mesmos que motivaram o desenvolvimento da linguagem escrita: proporcionar a comunicação entre sujeitos.A capacidade de criar e usar imagens para se comunicar é historicamente natural do ser humano. Basta nos recordarmos das pinturas rupestres. Estas foram as primeiras “grafias” usadas pelo homem para a comunicação e representação de seus afetos e idéias.
Sempre que alguma coisa é projetada e feita, esboçada e pintada, desenhada, rabiscada, construída ou esculpida, a aparência visual da obra é composta a partir de uma lista básica de elementos. São os elementos visuais: o ponto, a linha, a forma, a superfície, a cor e a textura.
Cada vez mais se torna fundamental este tipo de alfabetização. Não adianta pensar que isso não faz parte da sua vida ou da carreira que venha escolher; as imagens visuais, dos mais diferentes tipos, estão aí , na era tecnológica, nos desafiando para que as decifremos ou ficaremos de fora deste ilimitado e fantástico potencial da comunicação universal.
FICOU INTERESSADO EM APROFUNDAR MAIS SOBRE O TEMA? VEJA AQUI MESMO OUTRAS POSTAGENS , PROCURE NOS MARCADORES, OS TEMAS ALFABETIZAÇÃO VISUAL E / OU LEITURA VISUAL E APROVEITE......
FICOU INTERESSADO EM APROFUNDAR MAIS SOBRE O TEMA? VEJA AQUI MESMO OUTRAS POSTAGENS , PROCURE NOS MARCADORES, OS TEMAS ALFABETIZAÇÃO VISUAL E / OU LEITURA VISUAL E APROVEITE......
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Um olhar - a janela de nossa alma.
Este documentário é maravilhoso, não podia deixar de postar o seu trailer, tem tudo a ver com o título do blog UM OLHAR, precisamos voltar a aprender a olhar, se puder procure assistir o filme, garanto que vai valer a pena, você vai passar a ver a vida com outros olhos.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Fenomenologia do olhar.
A matéria prima da visão é a imagem. Esta palavra tem origem latina, significa representação / imitação/ retrato/ representação do pensamento.
O olho está diretamente ligado ao cérebro. Há teorias que tentam provar que o olho é extensão do cérebro, ou que o cérebro se formou a partir do olho. De qualquer forma, a frontalidade dos olhos no rosto humano remete à centralidade do cérebro.
Segundo Bispo Berkeley, na obra “Nova teoria da visão”:
“Teoria da visão: o mundo tal como vemos, é uma construção, erigida lentamente por todos nós, em ano após ano de experimentação. Nossos olhos só recebem estímulos na retina que resultam nas chamadas “sensações de cor”. É a nossa mente que elabora essas sensações em percepções, que são os elementos da nossa visão consciente do mundo – fundada na experiência, no conhecimento.” (Bispo Berkeley, apud GOMBRICH, 1995, página 315)
A teoria de Berkeley, entretanto, é contestada por Gombrich com base no caráter indissolúvel da associação entre sensação e percepção:
“Embora aceitemos muito do que diz Berkeley, devemos duvidar de que tal proeza de inocente passividade seja possível à mente humana. Sempre que recebemos uma impressão visual, reagimos colocando-lhe um rótulo, arquivando-a, classificando-a de um modo ou de outro, mesmo que se trate apenas de um borrão de tinta ou de uma impressão digital. (...) Porque ver não é apenas registrar. É uma reação de todo o organismo à luz que estimula o fundo do olho. De fato, a retina foi recentemente descrita por J. J. Gibson como um órgão que não reage a estímulos luminosos individuais, tal como postulado por Berkeley, mas às suas relações ou gradientes. (...) A distinção entre a sensação e a percepção, plausível como parecia, teve de ser abandonada em face da evidência de experiências feitas com seres humanos e animais. Ninguém jamais viu uma sensação visual, nem mesmo os impressionistas, por mais engenhosamente que espreitassem sua presa.” (GOMBRICH, 1995, página 316)
Alguns teóricos, como Zamboni e Smith, dizem que primeiramente olhamos para depois chegarmos ao ato de ver. Geralmente olha-se sem ver, devido ao fato de que em nosso cotidiano não temos tempo de absorver e realizar um ato de leitura e reflexão. Como diz Zamboni:
“O ver não diz respeito somente à questão física de um objeto ser focalizado pelo olho, o ver em sentido mais amplo requer um grau de profundidade muito maior, porque o indivíduo tem, antes de tudo, de perceber o objeto em suas relações com o sistema simbólico que lhe dá significado”. (Zamboni apud BARBOSA , 2002 , p.69)
Só conseguimos ver aquilo que nos é significativo. Isso relaciona-se ao sentido que estabelecemos entre nossas experiências e o que estamos vendo. Precisamos decodificar os signos e compreender a sua relação em um determinado contexto socio-cultural, juntamente com o conhecimento do leitor. Enfim, o olhar de cada um possui diferenças, e estas estão ligadas às suas vivências anteriores, assim o que se vê não é o dado real e sim o que se consegue captar e interpretar como significativo. Ocorrem assim, variadas formas de olhar uma mesma situação.
“Para os Gregos e Romanos, existiam dois olhares: o receptivo e o ativo, enfim o ver por ver sem o ato intencional do olhar e o ver como resultado obtido a partir de um olhar ativo.” (BOSI, 1993)
Podemos perceber que os verbos “ver” e “olhar” são associados aleatoriamente a significados fixos. Essa questão de semântica não altera nosso estudo, o qual denominará deste ponto em diante o “olhar” como ato intencional.
O Olhar:
Do ponto de vista etimológico:
1. Eidos ou Idea = Forma ou figura; Video = eu vejo; Os etimologistas encontram na palavra historia (grega e latina) o mesmo étimo id, que está em eidos e idea. A história é uma visão-pensamento do que aconteceu.
Do ponto de vista literal:
2. Ver e olhar são palavras que expressam idéias diferentes
3. Em português: Ver = ato de registrar uma cena ou objeto;
Olhar: Ver com intencionalidade
Olhar: Ver com intencionalidade
4. Em inglês: See = ver; Look = olhar
5. Em espanhol: Ojear = ver; Mirar = olhar
6. Em frances: Voir = ver; Regarder = Olhar
7. Em italiano: Occhio = olho, visão; Sguardo = Olhar, olhada
Do ponto de vista metafórico:
O olhar filosófico envolve a capacidade de sentir admiração, é parecido com o olhar infantil, que é curioso e desprendido de preconceitos. “Para praticar o olhar filosófico é preciso muita paciência, e o mundo que vivemos hoje, acelerado e repleto de informações, está fazendo com que percamos essa capacidade , pois o olhar filosófico é lento, não tem pressa, pois sabe que é essencial ater-se aos detalhes” (FEITOSA, 2004)
Na Renascença o objetivo do olhar era a perspectiva, o artista deveria aprender a olhar de perto e de longe.
“O olho, janela da alma, é o principal órgão pelo qual o entendimento pode obter a mais completa e magnífica visão dos trabalhos infinitos da natureza. Visão e entendimento estão aqui em estreitíssima relação: o olho é a mediação que conduz a alma ao mundo e traz o mundo à alma. Mas não é só o olho que vê, o entendimento, valendo-se do olho, obtém a mais completa e magnifica visão”. (BOSI, 1993)
O olhar antropológico é aquele que requer um distanciamento do objeto de estudo, não sendo influenciado pelo mesmo. Neste caso, a visão do outro é aceita sem contestação. É preciso observar ou olhar com empatia e sem preconceito.
O olhar cartesiano: “Para o código racionalista só há uma visão verdadeira, uma intuição certeira , a razão só vê o que ela mesma produz segundo seu próprio desígnio.” Ciência = um olhar que examina, analisa, compara.
O olhar como expressão: esse novo olhar é o que exprime e reconhece – fruição. Percepção do outro. Podemos citar como exemplo o dito popular "Comer com os olhos", que denota foco total de atenção para o outro, ou para um objeto, assimilando-o em sua plenitude.
“O olhar expressivo que une mente e coração, corpo e alma, olhos e mãos tornou possível o gesto da arte.”
“O ser humano é por natureza um ser criativo. No ato de perceber, ele tenta interpretar e, nesse interpretar, já começa a criar. Não existe um momento de compreensão que não seja ao mesmo tempo criação. Isto se traduz na linguagem artística de uma maneira extraordinariamente simples, embora os conteúdos sejam complexos.” (Fayga Ostrower, in BOSI, 1993, página 167)
“Olhar e ser olhado, atividade e passividade, exercem-se em um campo de forças onde o poder e o conhecer se fundam mutuamente. O outro é uma liberdade que pode invadir a minha; logo o outro existe. O olhar é a expressão mesma desse poder.”
“Olhar não é apenas dirigir os olhos para perceber o “real” fora de nós. É , tantas vezes, sinônimo de cuidar, zelar, guardar, ações que trazem o outro para a esfera dos cuidados do sujeito: olhar por uma criança. (...) As vezes a expressão do olhar fala por si, sem a necessidade do ato, por exemplo: Meu pai não precisava dizer nada para a gente obedecer. Bastava um olhar.” (BOSI, 1993).
Devemos ter em mente que “ver coisas opera com uma intencionalidade que não é a mesma com que se vêem pessoas.”
Outros olhares:
Contemplar é olhar religiosamente
“Nem todo olhar possui a capacidade de contemplar. E qual a atividade própria da contemplação? Lembrar. A visão cristã está na contemplação da divindade , que está no céu, no meio de nós e dentro de vós.” (BOSI, 1993)
Considerar é olhar com maravilha.
Respeitar é olhar para trás ( ou olhar de novo).
Admirar é olhar com encanto.
A educação pelo olhar: Simone Weil e a filosofia da atenção
· Simone Weil é a filósofa da atenção: primeiro, como atividade superior da mente; depois, como princípio estratégico para lutar contra a máquina social, o platônico “Grande Animal”
· O que significa atenção para Simone Weil? “O método para compreender os fenômenos seria: não tentar interpretá-los mas olhá-los até que jorre a luz. Em geral, método de exercer a inteligência que consiste em olhar. (...) A condição é que a atenção seja um olhar e não um apego. (WEIL, 1950, p. 388)
· Simone era operária da Renault, e observou a divisão rígida e crescente do trabalho mecânico X intelectual / dirigido X dirigente. Ela sonhava com uma sociedade onde meios inteligentes de produção supririam a sociedade livre para o exercício da inteligência, uma “democracia socialista”
· O texto de Bosi menciona 4 dimensões estruturais no pensamento de Simone Weil:
- Perseverança: A atenção deve enfrentar e vencer a angústia da pressa
- Despojamento: A atenção é uma escolha, logo uma ascese. Quem prefere, pretere. A atenção tudo sacrifica para ver e saber
- Trabalho: a atenção é um “olhar que age”. A relativização do cartesianismo em Simone Weil se faz através da construção de uma ponte entre a consciência e a ação eficaz.
- Contradição: “Não há contradições no imaginário. A contradição experimentada até o fundo do ser é o dilaceramento, é a cruz. Quando a atenção fixada em uma coisa revela, nesta, a contradição, produz-se algo como um descolamento. Perseverando nesta via, chega-se ao despojamento” (Sinone Weil, apud BOSI, 1993)
BIBLIOGRAFIA
- GOMBRICH, E. H. Arte e Ilusão – O estudo da psicologia da representação Pictórica. 3° Edição. São Paulo: Martins Fontes, 1995
- MARTINS, M. et all. Didática do ensino de arte: a língua do mundo: poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998
- BOSI, A. Fenomenologia do olhar. In A. Novaes (Org.), O olhar (pp. 65-87). São Paulo: Companhia das Letras, 1993
- BARBOSA, Ana Mae . A Imagem no Ensino da Arte. São Paulo: Perspectiva, 2002.
- FEITOSA, Charles. Explicando a Filosofia com Arte. Rio de Janeiro:Ediouro, 2004
- WEIL, S. Attente de Dieu. Paris: La Colombe, 1950
O mundo do imaginário fotográfico.
A cada um e a todos, a imagem irá ter a sua interpretação visual, o seu olhar diante da sua capacidade de compreender o que se passa na intenção do fotógrafo, as entrelinhas....
Veja um exemplo deste no artigo postado no link abaixo, clique , garanto que vai valer a pena!
*EDUCABLOG: A LEITURA DA FOTOGRAFIA: MUITO OU NADA – O CONVITE A VER...
Veja um exemplo deste no artigo postado no link abaixo, clique , garanto que vai valer a pena!
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